quinta-feira, 6 de junho de 2013

3 Motivos de Frustração no Estágio



Você pode até mirar o topo da hierarquia em uma organização, mas se estiver em início de carreira, concluindo a graduação, vai começar mesmo é como estagiário. Fase de descobertas e (muito) aprendizado, o estágio tem muitas vantagens. A principal talvez seja garantir a experiência necessária para dar o próximo passo na carreira. No entanto, há que se pensar também que, dependendo da formatação do programa, é possível que você se frustre em muitos momentos do expediente. 


Pesquisa realizada pela Page Talent com 500 jovens de 18 a 24 anos revela quais são as principais pedras no caminho dos estagiários, de acordo com eles mesmos. Confira o que os desmotiva e veja as dicas para reverter o quadro e se dar bem:

01. Falta de autonomia

A falta de liberdade na hora de executar tarefas é o principal desmotivador para os entrevistados. De acordo com a pesquisa, 35% citaram a pouca ou nenhuma autonomia como principal motivo de frustração. “Os jovens têm o sonho de começar no ambiente corporativo já ocupando posições estratégicas, com liberdade de executar o próprio trabalho”, diz Manoela Costa, gerente da Page Talent no Brasil.


Dica: Quer ter autonomia? Busque empresas que exijam mais responsabilidade de seus estagiários e que deixem isto bem claro durante o processo de seleção. “É importante entender onde quer estagiar”.

Disseram que teria autonomia e na hora de começar a trabalhar percebeu que não era bem isso? Proatividade e saber reconhecer o que merece maior ou menor atenção são formas de indicar ao seu chefe que você está pronto para começar a tocar algumas atividades sem supervisão. Isso vale também em empresas que naturalmente não dão autonomia aos jovens em início de carreira. “O estagiário deve mostrar responsabilidade e resultados e, ao longo do tempo, os chefes vão percebendo isso”, diz Manoela.

02. Trabalhar em uma área que não tem interesse

Ser alocado em uma área pela qual não tem interesse em trabalhar é outro desmotivador, de acordo com 34% dos entrevistados pela Page Talent. De acordo com Manoela, isto vale também para as atividades desempenhadas. “Geralmente o estagiário já sabe antes de começar a trabalhar em qual área ele vai trabalhar, às vezes é tipo de atividade desempenhada que desmotiva o jovem”, explica.

jovem carregando caixas

Dica: “O jovem deve aprender a lidar com a expectativa e entender que o seu chefe também precisa executar tarefas de que não gosta”. Caso o problema esteja mesmo na área ou departamento, mostre porque e as razões que o levam a constatar isso. Reúna argumentos que comprovem aos chefes que poderá contribuir mais se for transferido.

Mantenha-se atualizado sobre o mercado específico que mais o interessa, busque informações. Assim, as chances de conseguir o que quer aumentam.

03. Dar uma ideia, mas outras pessoas a desenvolverem a mando do chefe

A alegria de ter uma ideia aceita pelo chefe acaba no momento em que outra equipe é designada para executá-la. Este é o principal agente da frustração de 31% dos participantes da pesquisa.

Dica: Ao trazer uma ideia inovadora e executável você já está contribuindo para a empresa. “O jovem deve ter noção de que é um trabalho em equipe”, lembra Manoela. Tente a aproximar-se da execução do seu projeto trazendo detalhes sobre como, quando, com que ferramentas e recursos você conseguiria colocá-lo em prática.

Mas não se esqueça de que nem sempre, ao longo da sua carreira, você vai ser designado para executar um projeto apenas porque a ideia foi sua.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Incentivo? É mesmo?

Campanha da Bloomberg para a Geração Y
"Não temos vergonha de você, mas estamos chegando lá."

Nos Estados Unidos, 22,6 milhões de jovens entre 18 e 34 anos ainda moram com os pais. Com essa estatística, a revista de economia Bloomberg Newsweek lançou uma campanha cujo objetivo é constranger, sem clemência, a geração Y a dar alguns passos sozinha.

Campanha da Bloomberg para a Geração Y
"Rosas são vermelhas. Violetas são azuis. Arrume um emprego."
Pais, amigos, parentes e conhecidos são encorajados a enviar cartões virtuais com mensagens motivacionais (na verdade, grandes alfinetadas) aos membros mais apegados desta geração. A intenção é que a campanha ajude a movimentar a economia, justifica o veículo. 
“Nosso sonho americano é que você se mude”, afirma um dos cartões. “Eu saí da casa dos meus pais depois da faculdade, então o seu problema não é genético”; “Não sentimos vergonha de você, mas já estamos chegando perto” e “Rosas são vermelhas. Violetas são azuis. Arrume um emprego” são exemplos das impiedosas mensagens.
Campanha da Bloomberg para a Geração Y
"Nosso sonho americado é que você se mude."
Ainda que as palavras sejam duras, a revista assegurou que “o estado lamentável da economia não é culpa dos Millenials”, em texto no site oficial da campanha. “Essas mensagens foram criadas para uma geração que com certeza precisa de ajuda, e não para culpá-la”, conclui a campanha.
Não sei vocês mas eu achei a campanha engraçadinha mas estranha, a geração Y tem muitas características positivas e "alfinetar" (sim, porque pra mim isso é sim uma boa agulhada nos jovens e não um incentivo) dessa forma só destaca o lado negativo, que aliás eu nem acho que seja exclusividade da nossa geração... Tem um monte de "X" por aí que passou da hora de sair de casa!

As Lições do Número 1 do Magazine Luiza


O executivo Marcelo Silva, diretor-superintendente do Magazine Luiza, lançou no mês passado seu segundo livro, O Que a Vida Me Ensinou (Saraiva), no qual conta as lições de mais de 30 anos de carreira no varejo. Marcelo é o homem de confiança de Luiza Helena Trajano, que o trouxe da Casas Pernambucanas, em 2009.
Enquanto ocupou a superintendência da rede Pernambucanas, de agosto de 2002 a fevereiro de 2009, o executivo pernambucano intercalou momentos de agonia e glória. Ao assumir o cargo, em 2002, a Pernambucanas passava pelo pior momento de sua centenária história - encolhera de 1.000 para 238 lojas e dava prejuízo.
A partir de 2003, a reversão dos maus resultados rendeu a Marcelo a confiança da presidente do conselho de administração, Anita Louise Regina Harley. Em 2008, a Pernambucanas faturou 4,2 bilhões de reais - mais que o triplo da receita obtida no ano em que Marcelo assumiu.
No ano seguinte, o executivo foi para o Magazine Luiza. Essas e outras histórias fazem parte do livro O Que a Vida Me Ensinou, que vale a pena por sua rápida leitura e pelas lições de vida de Marcelo, que fez sua carreira no varejo. À seguir, algumas lições narradas por Marcelo:
 Liderança
"Liderar exige um conhecimento profundo da cultura dos liderados. O que eles realmente valorizam? O que os motiva? Quais são seus limites? Que linguagem utilizam no ambiente de trabalho? Quais são seus modelos de pensamento?
Ao ser contratado, o indivíduo leva para a empresa todo seu patrimônio cultural. Ali, ele mistura essa carga àquela constituída pelos donos e gestores do negócio. Por vezes, dessa fusão surge empenho e compromisso. Noutras, rebeldia ou indiferença.
Por isso, costumo dizer que a construção de um padrão de liderança tem início já no processo de recrutamento e seleção."
"A vida me ensinou que os líderes são avaliados basicamente pelos resultados financeiros. O melhor gestor é, nessa visão, aquele que acumula mais lucro em menos tempo."
Mas há, diz Marcelo, uma relação entre integridade e resultado. "Muitas vezes, o indivíduo na posição de comando releva erros, mentiras e pequenas trapaças de um subordinado que contribui na geração de lucros. Nesses casos, as empresas sabem que estão chocando o ovo da serpente."
 Comunicação
"Creio que o melhor líder se comunica, sempre que possível pelo olho no olho. Quem quer obter sucesso total na comunicação tem de chamar o colega ou colaborador para uma conversa." 
Revitalização da Casas Pernambucanas
"O resgate não teve lances sobrenaturais. Primeiro trabalhei na criação de uma estrutura administrativa mais ágil e eficaz. Em seguida, renovamos o mix de produtos, reformamos os pontos de venda e criamos uma universidade corporativa, para formar melhores funcionários." 
Confiança
"As pessoas costumam retribuir a confiança que é nelas depositada. Um ou outro pode não corresponder, com certeza. Mas a maior parte dos profissionais, nos diversos extratos hierárquicos, devolve empenho e resultados quando recebe atenção e respeito."

terça-feira, 4 de junho de 2013

As Lições de Liderança do filme Lincoln

Por um lado, a compra de votos, a quebra de confiança com integrantes da equipe e o não respeito às regras. Por outro, a visão, a liderança inspiracional, a diplomacia, o controle emocional, o foco na solução e a capacidade de mudar de ideia.
 

Ninguém é suficientemente competente para governar outra pessoa sem o seu consentimento"
ABRAHAM LINCOLN
Provavelmente um dos maiores trunfos do filme Lincoln, de Steven Spielberg, que mostra o ex-presidente norteamericano que conseguiu a abolição da escravatura e o fim da Guerra de Secessão nos EUA, é mostrar um líder humano, com erros e acertos, dúvidas e certezas.
Interpretado por Daniel Day-Lewis, o Lincoln de Spielberg e do ator britânico coloca seus ideais e visão acima de tudo (e, muitas vezes, de todos), conquista apoio pelo dom da oratória e atinge, finalmente, resultados e metas. Qualquer semelhança com o mundo corporativo não é mera coincidência.
A entrevista com coaches que analisaram o filme e extraíram dele os erros e acertos de Abraham Lincoln, cujas frases são reproduzidas com frequência:

Uma pequena mentira e você pode perder o apoio de seu principal aliado (Foto: Divulgação)
1. Nunca, nunca minta para sua equipe: um dos erros quase mortais de Lincoln no filme é que ele omite do secretário de Estado um acordo que havia feito com o líder dos republicanos para aprovar a abolição da escravatura. “Ele colocou em risco a confiança do principal funcionário. Deveria ter compartilhado e explicado o porquê da decisão. No mundo corporativo é tão difícil estabelecer alianças sólidas, que o melhor é sempre preservá-las”, avalia Van Marchetti, diretora da Attitude Plan. Homero Reis, coach concorda e explica o perigo da quebra da confiança. “O líder se fundamenta no processo da consolidação da confiança. Se ele chamasse o secretário e apresentasse a decisão como uma estratégia, seria melhor.” Como lidar com casos parecidos? “Chama antes e combina o jogo”, diz ele. 
Quase todos os homens são capazes de suportar adversidades, mas se quiser por à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder"
ABRAHAM LINCOLN




2.Respeite as regras: no filme, Lincoln resiste a dar dinheiro aos congressistas do partido Democrata, mas aceita dar empregos para que eles votem a favor da emenda abolicionista. Um presidente (ou ex-presidente) pode até sobreviver a um escândalo como esses. Mas uma atitude destas pode significar a morte de uma empresa.
3. Cuidado para não virar um ditador: símbolo da recém-conquistada democracia nos EUA, Lincoln chega a ser apontado como um ditador por insistir na luta pela abolição, enquanto adia o fim da guerra, o que implica um número maior de morte de civis. Reis compara Lincoln com o personagem do Mito da Caverna, de Platão. Na parábola, os homens moram em uma caverna e só conhecem o mundo por sombras. Um dos acorrentados foge, vê as coisas como elas são e volta para contar, mas acaba morto por seus companheiros. “Todo indivíduo que se sobressai na sociedade tem de fazer uma escolha. Geralmente ele escolhe algo que ninguém vê. E daí tem que dizer a que veio. O líder não pode ficar em cima do muro. Tem que escolher um lado e pular.”
Noves fora, a performance de Lincoln justifica sua fama de um dos maiores líderes dos EUA (Foto: Divulgação)
4. Tenha visão e comprometa-se:em uma coisa os especialistas são unânimes. Lincoln é considerado um líder visionário e comprometido. Para Eliana Dutra, diretora executiva da Pro-Fit Coaching, ele tinha a capacidade de criar uma visão inspiradora e de explicar suas decisões com base racional, cobrindo tudo com um molho de humanidade. “Um líder paupável, mais próximo ao interlocutor.” Na opinião de Homero Reis, Lincoln era capaz de estar comprometido com as questões de seu tempo, sabia cultivar sua rede de relacionamento e tinha bom humor. “Dentro das organizações, esses são os líderes mais valiosos.”
5. Delegue: ele deixa espaço para sua equipe ir a campo. Mostra confiança, oferece segurança, monitora e intercede se necessário. O acordo com os democratas é todo feito pelo secretário de Estado e sua equipe.
6. Foque na solução: todas as probabilidades estavam contra Lincoln. O ex-presidente não tinha o apoio do Congresso para a aprovação da emenda abolicionista, a guerra (seu maior argumento para acabar com a escravidão) estava para acabar e a maioria da população norteamericana não queria o fim da escravatura. Em vez de se sentir paralisado pelas dificuldades, o ex-presidente gastava sua energia encontrando soluções para cada uma dessas questões.
Lincoln, de Steven Spielberg: atuação elogiada de Daniel Day-Lewis (Foto: Divulgação)
7. Cuide do seu equilíbrio emocional: apesar se ser um líder querido, Lincoln foi questionado por muitos de seus liderados. A primeira reação de qualquer ser humano frente a uma crítica é sentir raiva. “Quando você tem uma visão muito firme, o primeiro impulso é querer impor. ‘Como assim vocês não estão enxergando?’ Ele percebe que se não entrasse no mundo das pessoas e entendesse como elas pensavam, não conseguiria adesão. As pessoas pecam na falta desse equilíbrio emocional”, diz Van.


8. Vença sua batalha interna: administrar os republicanos, conquistar o voto dos democratas, convencer seus liderados sobre seus ideais e ainda lidar com os dramas familiares, definitivamente, não é para os fracos. Todo líder passa por esse dilema. Os bons líderes conseguem gerenciar todas essas questões ao mesmo tempo, sem cair na insegurança – o que acaba levando a decisões equivocadas.
Frequentemente é necessário mais coragem para ousar fazer certo do que temer fazer errado"
ABRAHAM LINCOLN





9. Tenha a coragem de mudar de ideia: em uma cena, Lincoln mostra seu único momento de hesitação. Ele está prestes a ceder e terminar a guerra, mesmo sem a aprovação da emenda abolicionista. Chega a ditar a mensagem ao operador de telégrafo, mas muda de ideia. “O ser humano que não tem dúvidas está se enganando. Não justifico o líder que senta em cima das decisões e nunca define nada. Mas aquela coisa rígida de ‘eu tenho sempre razão’ é ruim e não é crível”, diz Eliana. Por mais que o líder acredite em algo, aquele é só um lado da verdade.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

10 Frases que precisam ser evitadas

A escritora Darlene Price, autora do livroWell Said! Presentations e Conversations That Get Results (Apresentações e conversas que dão resultado) selecionou para o site da revista Forbes algumas das frases que devem ser evitadas no ambiente de trabalho. Selecionamos aqui dez exemplos. Confira e lembre-se de banir essas expressões do seu vocabulário durante o expediente.
Diálogo Conversa Dúvidas O que dizer Falar Discurso (Foto: Shutterstock)
"Não é justo" - em vez de dizer que você está sendo injustiçado porque só o seu colega ganhou aumento ou porque só você precisou trabalhar no feriado, tente juntar dados e informações que apresentem bem o seu trabalho e façam com que ele seja reconhecido.
"Não é problema meu", "Não sou pago para isso" - atitudes egoístas podem limitar o crescimento profissional. Por mais que um pedido feito a você seja inconveniente ou inapropriado, imagine que ele é importante para quem o fez, portanto, tente não se mostrar indiferente ou insensível ao problema de outras pessoas.
"Eu acho" - Que frase soa melhor: "Eu acho que a nossa empresa pode ser uma boa parceira para você?" ou "Eu acredito que a nossa empresa pode ser a uma boa parceira para você? O "Eu acho" transmite uma certa insegurança para o interlocutor.
"Eu vou tentar" - Quando dizemos que iremos tentar fazer algo, está implícito que há a possibilidade de falharmos. Quando for falar com alguém no ambiente de trabalho, especialmente com seus superiores, prefira usar palavras como "Eu vou fazer".
"Ele é um idiota", "Ela é uma preguiçosa", "Odeio essa empresa" - Evite fazer esse tipo de comentário imaturo sobre seu trabalho e seus colegas, pois isso poderá se voltar contra você. Se você tiver uma reclamação realmente pertinente sobre alguém ou alguma coisa, tente comunicar seus superiores com tato e neutralidade.
"Mas nós sempre fazemos desse jeito" - Os líderes valorizam a inovação, a criatividade e a capacidade de resolver problemas. Uma frase como esta revela exatamente o oposto, ou seja, que você está fechado para novidades. Em vez de dizer isso, tente falar: "Que interessante, como poderíamos fazer esse trabalho?" Ou "Isso é bem diferente do que temos feito, vamos discutir os prós e contras".
"Isso é impossível" ou "Não há nada que eu possa fazer" - Ao falar dessa forma mostrando uma atitude pessimista, passiva e sem esperança. Será mesmo que todas as possibilidades de solucionar o caso já foram checadas? Para não deixar uma impressão negativa entre seus colegas, prefira dizer "Vamos discutir as possibilidades diantes das circunstâncias" ou "O que eu posso fazer é isso".
"Você deveria ter feito assim" ou "Você poderia ter feito de tal forma" - O ambiente de trabalho precisa ser um lugar de colaboração e trabalho em equipe. Ao apontar o dedo e dizer como alguém deveria ter feito seu trabalho, criamos um desconforto para todo mundo. Ao dar um feedback, tente usar expressões como "Da próxima vez, me passe as informações imediatamente" ou "Recomendo que no futuro você...".
"Eu posso estar errada, mas..." ou "Esta pode ser uma ideia boba, mas..." - Quando usamos uma expressão depreciativa, você acaba depreciando também a ideia que vem a seguir. Não é necessário usar esse tipo de expressão ao fazer uma sugestão. Em vez de dizer "Posso estar enganado, mas acho que estamos gastando tempo com essa discussão sem importância", prefira falar "A meu ver estamos gastando tempo com essa discussão sem importância".
Eu não tenho tempo para isso agora" ou "Estou muito ocupado" - Ainda que isso seja verdade, ninguém quer se sentir menos importante que alguém ou alguma coisa. Prefira dizer: "Será que podemos discutir isso outra hora?" ou "Que tal se eu passar na sua sala em 15 minutos para discutirmos isso?".

“O mundo que deixaremos para nossos filhos depende dos filhos que deixaremos para o nosso mundo”

“Não nascemos prontos”. A frase, que dá título ao livro e serve de base para o discurso do educador Mario Sérgio Cortella (diga-se de passagem, com muita propriedade) parece ser o contraponto ao momento de pressa generalizada que vivemos hoje. Em especial no que diz respeito ao comportamento das gerações mais novas.

Em entrevista concedida ao Blog Foco em Gerações, em agosto de 2009, o professor aborda a diferença entre as gerações, indica possíveis cenários para um futuro com líderes da geração Y e como essa questão deverá interferir na dinâmica de organizações e da sociedade como um todo. Ex-secretário municipal de Educação de São Paulo e professor da PUC-SP, Cortella fala sobre como a ausência ou a presença dos pais pode ser decisiva na formação da personalidade dos filhos e critica a inversão de papéis entre família e escola, além de questionar a visão de futuro de grande parte dos jovens criados na “era tecnológica”.
Por que os jovens da geração Y são diferentes de outras gerações? Em que são diferentes?
Temos hoje dois grandes blocos que convivem no mesmo território: os nativos digitais, que têm menos de vinte anos de idade, e os imigrantes digitais. Eles não têm a mesma percepção sobre o tempo e sua vivência. Pelo fato de terem sido criados imersos numa tecnologia que fez o mundo espontâneo e simultâneo, os nativos têm uma noção acelerada de processos e a percepção, aprendizado e modo de agir, que difere dos mais velhos. Essa é a razão de, vez ou outra, esses territórios entrarem em conflito.

O senhor diz que as famílias não se juntam mais na sala, cada um vive no seu quarto, não havendo mais convivência familiar. Como isso impacta no desenvolvimento da personalidade das crianças?
Devido à competitividade, à necessidade da inserção da mulher no mercado, das distâncias entre moradia e trabalho nas grandes cidades, houve na sociedade ocidental uma diminuição significativa no tempo de convivência entre crianças e adultos, que não compartilham mais uma série de valores antes trabalhados. O fato dos pais se ausentarem, seja por necessidade, seja por não darem prioridade a essa relação, faz com que adiem ainda mais a ida para casa e argumentem que precisam ficar mais no trabalho, evitando assim um encontro e o dispêndio de energia que terá de ser feito. O que mais prejudica é que, quando encontram seus filhos, os pais querem compensar a ausência com o atendimento de seus desejos, acarretando no jovem a distorção entre desejo e direito. Eles não criam um processo de conquista, já que recebem coisas instantaneamente.

Esta geração também não acredita que a escola possa ensinar coisas importantes a serem utilizadas no mundo que chamam de “real”. Por que isso acontece?
Essa geração adora a escola, pois é um local de encontro e uma experiência sócio-cultural insubstituível. Uma parte do conteúdo escolar é que parece ultrapassada ou extremamente datada para esses jovens, ao contrário de antigamente, quando a escola era quase que fonte exclusiva para acesso ao conhecimento letrado. Hoje há uma multiplicação de fontes de informação tornando-a apenas mais uma. Por outro lado, ela também é o lugar adulto que costuma dar ordens e, como uma parte dos jovens não fica mais com a família no dia a dia, a escola será quase que o único espaço para a convivência com adultos. Aí será de fato um confronto, já que em casa, na maioria das vezes, os pais não conseguem dar uma constância de presença, tornando isso papel da escola.

Os professores estão perdendo a auto-estima e não sabem como lidar com essa realidade. Isto pode ser revertido? Como?
Houve um debate com pais e filhos na escola, e um dos pais perguntou: “Professor, como podemos ajudar a escola na criação de nossos filhos?” Há um equívoco nisso. Não são os pais que têm que ajudar na educação dos filhos, é a escola que colabora com as famílias nesse processo. A escola não faz educação, faz escolarização, e isso não deve ser confundido. A convivência rarefeita na relação familiar leva que o território escolar seja palco de conflitos que não têm a sua causa exclusivamente dentro dele. Por isso é necessário parceria entre escola e família para cuidarmos dessa geração, pois como sempre digo, eles não nasceram prontos.

Se a família não pode mais ensinar (principalmente tecnologia) o jovem não tem mais o mesmo respeito pelos pais como no passado. A escola também não faz mais esse papel, nem a religião. O que vai impactar na forma como o jovem vê o mundo?
Uma parte dos jovens hoje tem uma visão extremamente limitada ao cotidiano, e isso é um perigo, pois pode se transformar numa obsessão por viver exclusivamente o hoje, aproveitar cada dia como se fosse o último, fazendo com que esse jovem perca a visão de futuro, a perspectiva de planejamento. Tanto a família quanto poder público, assim como a religião, a escola e os meios de comunicação devem produzir situações educativas nas quais se trabalhe a necessidade de pensar, de planejar. A família deve criar situações para que eles possam ter noção de processos, como cozinhar juntos e jogar, por exemplo. Aliás, o melhor ponto de partida para um diálogo com o jovem é pedir auxílio no uso de tecnologias; eles adoram ensinar e inclusive se disponibilizam a aprender com os pais.


No vídeo “Did You Know”, vemos que o conteúdo para um jovem em idade escolar muda a cada dois anos, em função das descobertas, da tecnologia, etc. O papel da escola é ainda ensinar um conteúdo ou ensinar a buscar respostas?
Buscar as respostas é uma tarefa do próprio jovem, afinal a tarefa da educação é a construção da autonomia dos indivíduos. Por outro lado, uma escola hoje precisa oferecer três grandes contribuições: sólida base científica, formação crítica de cidadania e uma concepção de solidariedade social. E desse ponto de vista é preciso não confundir informação com conhecimento. As tecnologias oferecem informação, mas cabe à escola ensinar o jovem a ter critério de seleção para transformar informação em conhecimento.

Você disse em uma de suas palestras que o tempo de atenção concentrada de um aluno mudou de 50 minutos para sete minutos. Como é possível ensinar nesse pequeno espaço de tempo?
A questão não é ensinar em sete minutos e sim criar mecanismos de fixação de atenção que driblem a distração. O jovem, quando joga um game, assiste a um show, fica horas e horas concentrado. É preciso criar portas de entrada para o campo de interesse deles; estabelecer pontes com esse mundo que o jovem vive.

Como será a empresa do futuro baseando-se nessas premissas de que o tempo de atenção concentrada é menor, de que o conhecimento se renova rapidamente, sabendo que estes jovens estarão chefiando equipes e dirigindo países com esta formação, num mundo mais acelerado ainda?
A empresa que tem inteligência estratégica é a que consegue formar as pessoas mostrando a elas que pressa não é sinônimo de velocidade. É preciso estruturar com o jovem que vai atuar na empresa a noção de ritmo, de senso de urgência, de competência, que se constrói também com tempo. A liderança bem sucedida será aquela que imprimir um ritmo de conseguir o melhor, num menor tempo e com custo mais baixo.

Como a organização que está contratando trainees pode lidar com essa realidade? Como deve prepará-los para o mundo real?
Prestando atenção em tudo o que dialogamos até agora, caso contrário ela não conhecerá com quem ela vai atuar. Prestar atenção nessa diferença de gerações, tendo isso como ponto de partida.

Sabemos que essa geração é mais autoconfiante, impaciente, tem baixa lealdade à organização, tende a ter baixa resistência à frustração e dificuldade em receber feedback negativo, já que não o recebem de seus pais. Como as organizações devem lidar com isso?
Tanto adultos quanto crianças precisam se acostumar a receber feedback negativo. Por esse motivo as empresas, quando vão organizar estrutura de avaliação, devem preparar as pessoas de mais idade. Nós, humanos, não admitimos ser corrigidos. Desse ponto de vista não é algo só do jovem. No entanto, essa geração, exatamente pela ausência de adultos para orientá-la acaba tendo uma reação exacerbada a isso, e o melhor meio é trabalhar a humildade e mostrar que nenhum de nós sabe tudo. O único modo de fazer isso com o jovem é mostrar a ele que tanto a competência quanto a incompetência vêm à tona. Formar pessoas é ser capaz de prepará-las para ouvir também o que não desejam

Como o senhor acha que esta geração vai educar seus filhos?
Se não prestarem atenção nessas mudanças, essa geração que agora educa e aquela que está sendo educada terão uma ausência de futuro alegre e digno. É preciso que essa geração compreenda que o mundo que deixaremos para nossos filhos depende dos filhos que deixaremos para ele, isso vale para todos. O jovem que perde a referência dos pais precisa construí-la em outros locais, por isso lê mais sobre isso, se comunica sobre isso nos blogs, faz isso no Orkut, Twitter, ou seja, cria uma comunidade de auto-apoio para não ficar perdido no futuro.

No seu livro “Não nascemos prontos”, você fala do processo de formação da criança, que se dá aos poucos, o que, aliás, é papel dos adultos. Depois, no livro “Qual a sua obra” você volta às inquietações sobre o mundo moderno. Mas com a realidade de tempo e pressão do cotidiano das pessoas, estes pais podem estar pouco tempo com seus filhos. Quais os caminhos, então?
Prioridade. Pais e mães precisam ter esse tempo de convivência e formação como prioridade. Quando eu digo que não tenho tempo de conversar com você, estou dizendo que você não é minha prioridade. O meu dia tem 24 horas e continuará tendo, o tempo não vai se perder, por isso pais e mães precisam fazer um esforço adicional para isso, senão terão que despender futuramente um tempo muito maior para recuperar aquilo que descuidou. A mesma coisa deve acontecer do lado do jovem.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Sua Sentença


A diferença entre simplesmente falar sobre um tema e fazer com que você sinta na pele ou mergulhe com a própria cabeça nesse universo tem uma referência e tanto nessa ação da Anistia Internacional. 

Eles criaram um site chamado Trial By Timeline que revela, através de uma análise automática da sua conta de Facebook, quantas vezes, com quais punições, em que crimes e países você seria acusado, perseguido e/ou condenado pelos mais absurdos motivos. Aliás, é assustador descobrir que há locais no mundo em que a pessoa seria punida, simplesmente, por ter uma conta em uma rede social, por exemplo.

               Eis o site, caso você queira arriscar a sorte: http://www.trialbytimeline.org.nz/


Aprendendo no Jardim de Infância

John G. Drozdal* é presidente de uma empresa cuja proposta parece coisa de criança: fazer com que as pessoas se lembrem do que aprenderam no jardim de infância e apliquem esses valores na vida adulta.


O objetivo da Drozdal Company (http://www.drozdalcompany.com), especializada em assuntos relacionados a gerações no ambiente de trabalho, é ensinar as pessoas a resgatar aquilo que aprendem no começo da vida: como trabalhar e agir bem com os demais.
“As diferenças entre gerações estão impulsionando a necessidade de boas práticas organizacionais”, justifica ele. Drozdal também mantém dois blogs, www.workingwithothers.com e www.workingwithtwentysomethings.com com o mesmo objetivo.

Leia mais sobre suas idéias na entrevista a seguir.

Ines: Você poderia falar sobre o que o levou a fundar “The Drozdal Company”?
John: Comecei a pensar nisso ao final dos anos 80 e consegui lançar a empresa em 1991. Nos Estados Unidos, no jardim de infância, há uma categoria pela qual somos avaliados, chamada “trabalhar e agir bem com os demais.” Nós fazemos um julgamento sobre o quão bem as crianças pequenas conseguem lidar com isso. Uma grande parte do currículo e do aprendizado diz respeito a ensinar às crianças como trabalhar e agir bem com os demais. Por alguma razão, após aquele primeiro ano de escola, essa ênfase vai embora. As pessoas passam pelo colégio, pela universidade, se formam e aprendem como fazer as coisas. Depois, nós os jogamos no mercado de trabalho e pedimos a eles que “trabalhem e ajam bem com os demais”, e de alguma forma, eles esquecem como fazer isso.
Então eu queria fundar uma empresa para ajudar as pessoas a se lembrarem do que aprenderam no jardim de infância – como trabalhar e agir bem com os demais. Então, ao longo dos anos, eu realmente me foquei nessa atividade. Isso envolve ensinar aos líderes como liderar, gerentes a gerenciar, e equipes a trabalharem juntas de forma efetiva. Eu faço muitos treinamentos, gerenciamento e intervenção de equipes, e um pouco de coaching individual com meus clientes.
Comecei a pensar sobre assuntos relacionados ao ambiente de trabalho quando terminei o colegial. Ao me formar, estava em busca de trabalho para conseguir algum dinheiro antes de ir para a universidade. O diretor do colégio ouviu falar sobre uma vaga em uma empresa de abastecimento de água. Então eu fui para a entrevista e ele me contrataram de imediato. Minha tarefa para o verão seria organizar o sistema de arquivos.
No primeiro dia de trabalho, um rapaz mais velho me levou até o porão, em sua grande sala, repleta de arquivos por todos os cantos, numa desorganização total.
Ele disse “Ok, seu trabalho para o verão é organizar esses arquivos, talvez você possa querer vestir roupas velhas.” Essas foram todas as diretrizes que recebi, e fiquei sentado naquela sala pensando, “Eu realmente deveria ter aceitado aquele trabalho para pintar os extintores de incêndio, assim pelo menos veria os resultados.” Felizmente, um dos empregados diretos do rapaz desceu para ver um arquivo. Eu estava lá, e ele me perguntou por que eu parecia tão atônito. Então contei para ele, que disse, “Esse chefe não é muito bom.” Então, ele conseguiu me ensinar os princípios básicos de organização para que eu pudesse fazer meu trabalho, tarefa esta que o gerente deveria ter feito.
Quando você possui um novo funcionário, deseja ensiná-lo como fazer o trabalho, e muitos gestores são omissos nessa parte. De qualquer modo, ao longo do verão, as pessoas desciam, enquanto eu estava mexendo nesses arquivos, me contavam suas histórias de vida e falavam sobre o quanto eram infelizes no trabalho. Os assuntos que emergiam geralmente diziam respeito ao fato de não se sentirem parte do ambiente de trabalho, não se sentirem valorizados em relação às contribuições que haviam feito. Acho que foi aí que a semente foi plantada e eu comecei a pensar que talvez pudesse fazer a diferença nessa área e ajudar as pessoas a aprenderem como trabalhar juntas. Levou certo tempo até que eu tivesse experiência suficiente e me sentisse confiante sobre o que era capaz de fazer.
Além disso, em termos de diferenças entre gerações no ambiente de trabalho, existem sistemas de treinamento que funcionam para trabalhadores autônomos, mas não necessariamente para as outras gerações que estão surgindo, especialmente no modo como se deve ensiná-los.
Acho que um dos melhores exemplos que posso dar é a maneira como é feito o treinamento para médicos, particularmente nos Estados Unidos. É realmente um teste de resistência ver como você pode ficar tanto tempo sem dormir e ainda funcionar. O treinamento médico foi feito historicamente desse modo nos Estados Unidos. Agora as pessoas estão compreendendo que não é a melhor ideia ter alguém em sua 36ª hora de turno tomando uma decisão de vida ou morte sobre um paciente. Isso também se aplica à profissão de Direito. Os escritórios de advocacia contratarão empregados juniores e farão com que eles trabalhem ao máximo, pois foi assim que aconteceu sempre.
Penso que uma das coisas mais legais da geração Y é que ela está respondendo à pergunta “Por que você faz as coisas deste modo? Há um jeito melhor de se fazer isso.” Então este é conflito do jeito antigo em relação ao jeito novo de se fazer as coisas.

Ines: Como você vê a evolução do ambiente de trabalho com a entrada da nova geração de digitais nativos no mercado?
John: Penso que eles farão mudanças razoavelmente dramáticas. Assim como em muitos processos de mudança, você sempre terá resistência por parte das pessoas que serão afetadas por isso. Se olharmos historicamente para a maioria das mudanças sociais, sempre houve uma tendência a permanecer no modo conhecido de se fazer as coisas. Acho que as organizações sobreviventes e prósperas serão aquelas que conseguirem enxergar as novas idéias e os paradoxos. Em outras palavras, é uma via de mão dupla. Não se trata de trocar o velho pelo novo, ou aderir ao modo como as organizações sempre agiram. Trata-se de realmente unir ambas as tendências. São essas as organizações que irão sobreviver.

Ines: Você concorda que muitas pessoas têm falado sobre uma grande mudança na definição do que é um “funcionário”? Estamos caminhando em direção a um mercado de muitos funcionários autônomos no lugar daqueles que ficavam tradicionalmente o tempo todo na organização?
John: Estou assistindo isso acontecer. Penso que é muito cedo para ver como será essa reviravolta. No fundo, eu sou um freelancer. Acho que uma das coisas que precisei aprender sobre mim mesmo é que eu tenho DNA de um freelancer. Quando você trabalha por conta própria, pode parecer um pouco amedrontador. Você precisa procurar por trabalho o tempo todo. Alguns realmente se identificam com esse tipo de tarefa, e outros sofrem muitos problemas ao trabalhar assim. Então, não me sinto seguro em dizer que caminhamos para uma economia de autônomos. O que penso é que vivemos numa época em que a estrutura corporativa tradicional está sendo colocada em questão. O que pode acontecer é que as pessoas dentro da organização estão procurando por mais liberdade para criar dentro da estrutura empresarial.

Ines: De que forma a sua experiência em psicologia social, associada aos conhecimentos em negócios ajudaram você a lidar com as gerações no ambiente de trabalho?
John: Estou fascinado pelo modo como podemos aprimorar os relacionamentos em geral, mais especificamente as relações no espaço de trabalho. Para mim, isso diz respeito a três coisas. 
1) Auxiliar as pessoas a estarem conscientes de quem elas são. Essa autoconsciência tem a ver com seu estilo de vida, pontos de vista, paradoxos e competências. 
2) Estar aberto a compreender o ponto de vista das outras pessoas, seus estilos, e o jeito como elas trabalham. 
3) Ter o desejo de achar um campo em comum com o outro sem emitir julgamentos.

Quando eu estava na graduação, minha tese era em uma área da psicologia social chamada “Teoria da Atribuição”. A teoria diz respeito à maneira como nós julgamos as pessoas pelas aparências ou pelo que elas dizem inicialmente. Com base em meus estudos, entendi que as pessoas estavam de fato julgando pelas aparências.
Eu acho que, ao percebermos que agora há quatro gerações no mercado de trabalho, podemos nos sentir culpados por fazer julgamentos estereotipados sobre as pessoas. Vemos isso o tempo todo, com os boomers, por exemplo, assistindo à geração Y chegar ao ambiente de trabalho com tatuagens, piercings e havaianas. Eles criam toda uma série de suposições sobre aquela pessoa. Quando, de fato, se eles realmente ouvissem os indivíduos e tivessem tempo para conhecê-los, veriam que eles podem oferecer contribuições extremamente positivas ao ambiente de trabalho.
O reverso disso é que a geração Y também chegará à organização vendo essas pessoas com cabelos brancos ou carecas, supondo que elas sejam muito velhas. “Eles deveriam ir embora agora, e deixar que tenhamos a nossa vez.”
Meus conhecimentos em psicologia realmente me fizeram apreciar a condição humana e o fato de que cada um possui um presente a ser trazido ao ambiente de trabalho. Se simplesmente tivermos tempo para entender qual é esse presente, podemos ter ambientes de trabalho muito mais produtivos.


Ines: O que você pensa sobre essa ideia de um “gap cerebral” entre os digitais nativos e os digitais imigrantes?
John: Eu quero prefaciar minha resposta. Tenho pensamentos, mas eles não têm a ver necessariamente com a minha área de expertise. Acho sim que há uma certa crença de que os digitais nativos são atraídos de forma diferente. Há uma diferença no modo como os digitais nativos processam a informação. A metáfora que penso ser muito útil é que, para os digitais nativos, a tecnologia é sua primeira linguagem; para a geração X é sua segunda língua e eles são muito fluentes nisso; para os boomers, é como aprender uma língua tardiamente na vida. É algo que pode ser feito, mas demanda um grande esforço.

Ines: Muitos dos assuntos que você tenta solucionar são produtos das diferenças entre gerações ou independentes disso?
John: Acredito que seja uma combinação de ambos. Penso que, para auxiliar as gerações a trabalharem efetivamente no ambiente de trabalho, todas elas devem ser autoconscientes, entender o ponto de vista dos demais, e ter o desejo de trabalharem juntas. Mas eu acho que quando você possui essas diferenças entre gerações, é como qualquer outra diferença no espaço de trabalho: elas aumentam a necessidade de boas práticas organizacionais.
Uma das coisas com as quais me deparo, muitas vezes, é a geração Y dizendo que eles realmente desejam que seus gestores os gerenciem. Mas uma das coisas que todo gestor teme é ser visto como um “micro-gerente”. Isso não diz respeito a gerações, vai muito além.
Como um resultado desse medo, os gerentes farão coisas para não supervisionar em excesso. A geração Y está dizendo, “Eu quero aprender, eu preciso de mais feedback sobre o que estou fazendo, eu gostaria de um pouco mais do seu tempo.” O que a geração Y está fazendo é questionar os gestores para que estes ofereçam o que eu chamo de “boas práticas de gestão”, dedicando mais tempo aos seus funcionários, descobrindo o que eles precisam para ser mais efetivos, e oferecendo algo para que essa efetividade aconteça. As diferenças entre gerações estão impulsionando a necessidade de boas práticas organizacionais.

Ines: As pessoas que eu entrevistei parecem estar à frente de um dilema a respeito de haver ou não, de fato, um sério gap entre gerações. Qual o seu ponto de vista?
John: Penso que as organizações passarão por mudanças, e elas realmente não terão escolha. As gerações mais jovens irão substituir alguns dos funcionários mais antigos. É preciso haver um diálogo entre as gerações mais velhas e as mais novas. As gerações mais recentes estão trazendo novas idéias, um novo modo de trabalhar, e um ponto de vista completamente inovador sobre o que é o mundo. A geração mais antiga se sente um peixe fora d´água. O que reduz a tensão é minimizar o medo que essas gerações têm de deixar de lado o jeito antigo de fazer as coisas, respeitando a experiência que elas podem nos passar.
O que também é interessante é que a geração Y está chegando ao ambiente de trabalho e fazendo as perguntas que os baby boomers gostariam de ter feito. Por exemplo, em relação ao equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, osboomers não se sentiam necessariamente felizes sendo workaholics. Mas não se sentiam seguros para quebrar o ciclo.
Além disso, a geração que está mesmo esquecida é a X. Eles estão se perguntando por que as pessoas colocam toda essa ênfase na geração Y. Eles dizem “E nós?”. A geração X é um produto de casas de pais solteiros, ou de duas casas diferentes, então eles aprenderam a ter resiliência e trouxeram essa independência para o ambiente de trabalho. Há uma tensão entre as gerações X e Y, à qual muitos não estão prestando atenção. A geração X está perdida no meio da conversa e eu acho isso um erro. O funcionário da geração X também precisa ser reconhecido em termos das contribuições que ele podem trazer. Até mesmo no modo como falamos sobre essa geração, utilizando a letra “X”. Há 26 letras no alfabeto e nós utilizamos aquela que tipicamente significa “algo desconhecido”…

Ines: Você começou recentemente o blog, “Working with twenty something´s.” Fico curiosa para saber o motivo desse blog ser separado do “working with others”. Você poderia contar porque está trabalhando nesses dois blogs?
John: Quando eu estava saindo da universidade, o termo usado era “gap entre gerações”. Eu estava vivenciando muitas coisas que a geração Y está vivendo hoje. Queria criar um fórum para auxiliar essa geração a fazer uma transição bem-sucedida em direção ao mundo do trabalho, e promover insights, falar sobre oportunidades e criar um diálogo. Trabalhar com os outros é também trabalhar nos relacionamentos em geral. Queria utilizar o “working with twenty something´s” para enxergar as diferenças entre gerações e o modo como elas impactam nas relações de trabalho. Realmente vejo uma oportunidade no desenvolvimento de tais relações. Com minha experiência de vida, sinto que essa é uma oportunidade de retribuir e aconselhar, além de ajudar essa geração mais jovem a não cometer os mesmos erros que eu.

Ines: Em um dos posts no seu blog, você menciona a perspectiva de um articulista do jornal “Christian Science Monitor”. O artigo argumenta que “O diabo veste Prada” é um filme sobre a transição dessa geração para o mundo adulto. Você concorda? Isso também mostra o caminho desde “A primeira noite de um homem”, até “Negócio Arriscado”, chegando em “O diabo veste Prada”, em termos de filmes que apresentam essa transição para o mundo adulto?
John: Posso afirmar sobre a geração dos boomers, pois, certamente, todos eles conhecem a fala em “A primeira noite de um homem” sobre plásticos. É aquela cena famosa, quando Benjamim se forma na universidade e alguém chega até ele dizendo, “Tenho uma palavra para você… plásticos.” Esse é o tipo de estrutura corporativa na qual se deve investir.
Se você aceita que a geração X é bem independente e teve que lutar por si mesma, o filme “Negócio Arriscado” ilustra essa exploração completamente livre em direção à independência.
Com “O diabo veste Prada”, posso ver como o filme capta alguns temas relacionados a essa geração. Se você olha para os amigos de Andy, eles são um grupo muito heterogêneo. Uma das coisas que eu adoro na geração Y é que a diversidade não é um tabu para eles. Eles cresceram com a diversidade. Têm amigos de diversos cantos. A outra coisa que é realmente interessante é a tensão de estar emaranhado em meio ao sucesso, quase vendendo sua alma para a corporação. É o balanço entre a vida profissional e pessoal que vem à tona de forma austera. Será esse o filme essencial em termos da transição de uma faixa de idade para outra? Eu não sei. Mas ele ilustra diversos conflitos da geração Y. Vejo as pessoas dizendo que esse é o filme sobre o significado dessa transição para a geração Y.


* Dr. Drozdal é formado pela Universidade de Princeton com bacharelado em Psicologia Social, e possui mestrado e MBA pela Universidade de Minnesota. Ele completou seu Ed.D na Universidade de St. Thomas em St. Paul, Minnesota. De 1988 a 2005, Dr. Drozdal atuou como professor adjunto no Programa de MBA Executivo na Escola de Negócios da Universidade de St. Thomas em Minneapolis, Minnesota, e também lecionou na Anderson Schools of Management da Universidade de New Mexico. Nos últimos anos ele tem contribuído como convidado em vários jornais incluindo o Albuquerque (NM) Journal e o Rio Rancho (NM) Observer.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Campeãs de engajamento no Facebook Brasil 2012

Ao criar uma página de sua marca em uma rede social, cria-se uma interação direta com os consumidores e essa interação é extremamente importante para que as marcas possam ter um posicionamento específico na mente das pessoas, e também para definir melhor seu público-alvo. 
Toda essa interação vai levar também a um engajamento dos consumidores, que por sua vez irão se tornar mais leais à marca, divulgando suas novidades e benefícios. Em termos de engajamento nas redes sociais, a lógica que prevalece é a da proporcionalidade, ou seja, quanto maior for uma determinada empresa, mais poder ela terá nas redes sociais, e assim atraindo mais consumidores e fortalecendo os laços com aqueles que já são consumidores mais antigos. Além disso, o uso das redes sociais e do meio digital faz com que as empresas inovem cada vez mais em suas ações de marketing, e também em seus produtos.

Confira o Infográfico que mostra com detalhes as marcas campeãs de engajamento e audiência no Facebook em 2012: